BIO

 

Alegre, intensa e inquieta. Formou-se em publicidade e cursou Artes

Plásticas, na Panamericana, em São Paulo. Na juventude participou de

Salões em Santos e foi premiada, como reconhecimento de sua vocação

e talento. A artista, agora adulta, madura e ciente de seu destino,

mergulha no universo da arte e se reinventa, com a identidade artística

que estava adormecida em seu coração desde a infância. Abstrata no

estilo de pintar, com forte intuição e sensibilidade encontra no

movimento expressionismo abstrato sua identidade artística. 

A ARTE QUE FLUI

Recentemente, lendo Da leveza: rumo a uma civilização sem peso, do filósofo e sociólogo Gilles Lipovetsky, deparei-me com reflexões acerca do comportamento dos indivíduos contemporâneos e da sua aproximação com a arte como um dos pontos fulcrais das relações sociais. Perguntei-me qual seria o distanciamento entre a superficialidade e a profundidade da arte neste cenário e como esses pontos antagônicos poderiam estar representados na estética, na poética e na visualidade. Por sorte, estava naquele momento imerso nas obras da artista visual Andréa Araújo. Fui provocado, então, a rumar para outra dimensão poética e da visualidade, amparado pelos escritos visuais elaborados pela artista. Ao pensar em leveza, um observador apressado e com pouco repertório não perceberia, de imediato, com exatidão, as diversas portas que a produção dessa artista oferece. Portas essas que nos levam a um processo contínuo de descobertas, com sucessivos embates estéticos e cognitivos. Embora a obra de Araújo aparente ser leve, não o é. Tampouco é fácil, mesmo que assim pareça a muitos. Cada peça traz nas suas composições, aparentemente simples, um efeito magnético e imagético que leva o observador atento a uma corrente de experiências abstratas que flui vigorosamente. Aliás, na arte abstrata, a representação das imagens é distanciada da realidade, pois o que importa é a capacidade da obra de “permitir interpretações diversas em relação a sentimentos e emoções”, como pontuou o pintor russo Wassily Kandinsky, considerado o primeiro representante desse movimento e seguido posteriormente, na pintura, por artistas brasileiros como Hélio Oiticica, Cícero Dias, Antônio Bandeira, Lygia Clark, Waldemar Cordeiro e Iberê Camargo. Todavia, como classificar os trabalhos de Araújo dentre os diversos movimentos das “escolas artísticas”? Situá-la dentro de uma corrente abstrata seria reduzi-la, inserindo-a em um momento da história da arte que já cumpriu seu papel. Compará-la ao movimento minimalista do século XX, em que os artistas apreciavam e empregavam em suas produções uma quantidade reduzida de processos, de materiais ou mesmo de temáticas, simplificando suas obras e tornando-as, por vezes, repetitivas, seria um grande equívoco, uma vez que a artista oferece profundas reflexões contemporâneas. Resta, portanto, não apenas contemplar a obra de Araújo no caminho imersivo que se percorre a partir dela, mas sim indagá-la, libertar-se das amarras que uma certa “elite cultural” nos impõe, segundo as quais tudo deve ser passível de defesa, de interpretação e de justificativa, mesmo que apenas para uma plateia segmentada que pouco representa a sociedade, com suas diferenças, suas misturas, seus amores e seus ódios. Nem profunda e nem superficial. Mas de que arte eu falo? Certamente da que toca, da que provoca e da que faz com que eu me debruce na produção deste texto, não para defendê-la, e sim para oferecê-la aos apaixonados por arte, que buscam libertar-se de protocolos impostos pelo campo cultural e por seus atores. O trabalho de Andréa Araújo, ainda que em processo permanente de maturação, natural nas artes, é estruturado por uma teia visual que traz suas questões pessoais, seu testemunho. Sua obra retrata sua forte personalidade em traços firmes, profundos e compactos, que, embora densos, fluem com leveza e desenham outros espaços represados. Espaços que ganham força pelas cores inteligentemente escolhidas. Sim! É justamente essa tensão entre o traço que flui e as cores que se represam que estimula esta reflexão, incialmente provocada pela tensão entre o que é superficial e o que é profundo. Talvez a obra de Araújo carregue uma influência de sua infância, de suas histórias, de suas cicatrizes, de suas inúmeras experiências, como ela mesma relatada em suas declarações: “Venho de uma família de mulheres artesãs, vivenciei na infância fios, linhas, tecidos, agulhas, tintas, cores e muitas criações que surgiram desses materiais. Aliás, as cores me demonstram as sensações que me despertam. Participei desses processos e não sei se por instinto, dom ou herança genética, tudo isso ficou incutido em mim, assim como a força dessas mulheres”. Padrões e regras sempre foram um desafio à natureza contestatória e um tanto irreverente da artista. Porém, isso nunca a impediu de criar, entendendo o ser humano como único, fortemente comprometida com aquilo que é, para ela, uma luta permanente contra a injustiça e a desigualdade, ainda que sem ativismos. Os que não conhecem o processo de criação da artista podem imaginar que ela apenas busca o belo e a harmonia em suas obras. Entretanto, ela proporciona, de fato, indagações muito mais profundas. Por um lado, há provocação e ironia; por outro, suavidade e sutileza. Ambos aspectos fundamentais. A leitura de sua obra cria estímulos perceptíveis ao observador, embora de difícil tradução, pouco verbalizáveis. Seria impossível expressar em um único texto tudo o que a obra de Araújo nos oferece e também nos impõe. Essa erudição em sua obra tem origem em sua imersão na pesquisa; a artista está sempre cercada de artistas, de curadores, de pessoas que possam criar uma certa instabilidade no seu campo e, assim, tirá-la de sua zona de conforto e provocar-lhe novas formas de reflexões poéticas e novas perspectivas. Assim é essa artista, que participa ativamente de grupos de estudo, de residências artísticas, de viagens exploratórias e que tem como um de seus traços mais marcantes criar, testar e recriar, como por instinto. O que o especialista em arte observa é uma artista profunda, em luta com suas inquietações, em ebulição, reagindo às contestações que a vida lhe ofereceu. O resultado é tudo o que vem do âmago e que muitas vezes não é manifesto. Araújo convive com grupos de teóricos acadêmicos, de jovens antenados, de ativistas de todas as causas, todos sempre analisando os porquês de cada detalhe - suporte, material, cor, textura, forma, traço - em uma peça, o que a artista deseja transmitir com sua composição, com cada um de seus elementos. Entretanto, ela sempre afirma que respeita a obra como um todo e que deve provocar questionamentos, despertar sensações, sentimentos, memórias... que deve, enfim, criar uma simbiose com o espectador, de modo que ele possa ressignificar a sua experiência estética e que seja levado a refletir sobre a sua própria história - e não sobre a história da autora.

 

Isto é ser artista! É permitir que, através da arte, flua das nossas profundezas e emerja à superfície algo que mova o mundo!

Prof. Dr. Roberto Bertani, setembro de 2020.

F O R M A Ç Ã O

  • Graduação - Artes Plásticas. Escola Panamericana. São Paulo – SP. 2018;

  • Graduação - Publicidade e Propaganda. FMU. São Paulo – SP. 1995.

P R I N C I P A I S   A T I V I D A D E S   A R T Í S T I C A S

 

  • ACLASP – Academia de Ciências Letras e Artes de São Paulo, – Diploma “Fundação da Cidade de São Paulo”. São Paulo – SP. 2020;

 

  • ACLASP – Academia de Ciências Letras e Artes de São Paulo, – Diploma “Mérito Histórico e Cultural. São Paulo” – SP. 2019;

 

  • Outorga de “Amigo emérito da Pinacoteca Benedicto Calixto” – Obra “Fluxo 3” integra o acervo da Pinacoteca. Santos – SP. 2019;

 

  • Dynamic Encounters Rio – Ateliês e Museus – Ministrado por Charles Watson. Rio de Janeiro – RJ. 2019;

 

  • Dynamic Encounters 32ª e 33ª Bienal SP – Ministrado por Charles Watson. São Paulo – SP. 2016 e 2018;

 

  • Creativity Masterclass 1, 2 e 3. MAM - Ministrado por Charles Watson. São Paulo – SP. 2017 e 2018;

 

  • Curso História da Arte Moderna. MAM. São Paulo – SP. 2018; 

 

  • Mulheres Pintoras Através dos tempos. Ateliê Oficina FWM de Artes.

 

  • Livraria Martins Fontes. São Paulo – SP. 2016;

 

  • Introdução a Action Painting – Pintura e Intuição. Escola Panamericana. São Paulo – SP. 2016;


P R I N C I P A I S   E X P O S I Ç Õ E S 

 

  • “Exposição 4x4”. Coletiva. Casarão de Cultura. Curadoria: Carlos Zíbel. Produção: Personnart. Rio Claro – SP. 2019;

 

  • “Fluxo”. Individual. Pinacoteca Benedicto Calixto. Curadoria: Carlos Zíbel. Produção: Personnart. Santos – SP. 2019.

 

  • “Best Practice Day”. Coletiva. SENAC – Santo Amaro – SP. 2019;

 

  • “A diversidade e Pluralidade da Arte Contemporânea”. Coletiva. 25º Salão de Arte de Praia Grande – SP. 2018;

 

  • “Artes Pláticas Novos Talentos 2018”. Coletiva. Escola Panamericana. Curadoria: Cláudio Tozzi. São Paulo – SP. 2018;

 

  • “Entre Arte e Design”. Coletiva. In.Casa. Produção: Personnart. São Paulo – SP. 2018;

 

  • “Desafio Criativo Canson”. Coletiva. Premiação: Menção Honrosa. Escola Panamericana. São Paulo – SP. 2018;

 

  • “TodoMeuSer”. Individual. Studio Dalmau. Curadoria: Carlos Zibel. Produção: Personnart. São Paulo – SP. 2018;

 

  • “Muretas na Cidade”. Coletiva. Projeto Santos Criativa (2ª edição). Jardim da Praia. Santos – SP. 2017.